Cultura
Francês à moda québécoise: 7 dicas divertidas para aprender mais rápido!

Aprender uma nova língua pode ser desafiador. Mas com as dicas certas e muitos tombos no meio do caminho, você pode conseguir!
Ah, o francês do Québec! Para alguns, é música para os ouvidos; para outros, parece que os locais engoliram metade das palavras e inventaram expressões para complicar ainda mais a vida dos aprendizes. Se você mora ou pretende visitar a charmosa província canadense, aprender rapidamente o francês québécois pode parecer um desafio digno das Olimpíadas linguísticas. Mas calma! Com um pouco de método, paciência e bom humor, é perfeitamente possível acelerar esse processo.
1. Imersão total: Pule no frio (literalmente!)
Um dos métodos mais eficazes para aprender um idioma rapidamente é a imersão. Estudos como o de Segalowitz e Freed (2004), publicado no periódico Studies in Second Language Acquisition, mostram que estudantes imersos na cultura e no idioma aprendem significativamente mais rápido que aqueles em contextos tradicionais de sala de aula. Portanto, mergulhe sem medo! Assista à TV local, ouça rádio em francês, converse com o motorista do ônibus, mesmo que inicialmente você só consiga dizer “bonjour” e “merci”. Quanto mais exposto você estiver, mais rápido seu cérebro vai captar a língua.
Quando eu estava aprendendo o francês, ainda no Brasil, eu procurava todas as oportunidades para falar com nativos do idioma. Eu via um haitiano ou senegalês na rua, já “atacava” o transeunte e tentava puxar um papo com meu pobre francês. E isso ajudou pra caramba!
2. Seja amigo das expressões locais (e não as leve tão a sério)
Québécois adoram suas expressões peculiares. Se ouvir alguém dizer que está “avoir les yeux dans la graisse de bines” (literalmente, “ter os olhos na gordura do feijão”), não se assuste; a pessoa só está com sono! Memorizar essas expressões divertidas pode não apenas facilitar sua comunicação cotidiana como também criar empatia instantânea com os locais, mostrando que você aprecia e respeita a cultura deles. Quer ver outras expressões do français québecois? Confira nossa série de artigos sobre o assunto.
3. Troque o “francês parisiense” pelo francês québécois
Existe uma tendência natural de aprendermos francês padrão, aquele famoso francês parisiense dos livros didáticos e filmes franceses. Mas, na prática, esse francês não é exatamente o que se fala no Québec. O estudo de Segalowitz e Freed (2004) revela que a adaptação ao dialeto local ajuda significativamente na compreensão auditiva e na fluência. Portanto, procure materiais feitos no Québec, como séries (recomendo “Les Parent“), podcasts ou canais no YouTube que ensinam a língua com sotaque québécois. Nesse artigo eu separei algumas músicas indispensáveis em francês do Québec.
4. Aprender brincando é coisa séria!
Pode parecer clichê, mas estudos mostram que aprender um idioma por meio de jogos e atividades lúdicas potencializa o processo de aprendizado. Um artigo de Neville et al. (2008), publicado no Journal of Neuroscience, indica que jogos e brincadeiras ativam áreas cerebrais específicas, facilitando a retenção e a assimilação do novo idioma. Então, que tal reunir amigos para jogar jogos de tabuleiro em francês ou até mesmo jogar videogame no idioma local? Vale tudo para sair do tédio do estudo tradicional!
5. Não tenha medo de errar (mesmo com sotaque engraçado)
Uma barreira comum no aprendizado de línguas é o medo de cometer erros e parecer bobo. Mas pense nisso: qual é o pior que pode acontecer se você confundir “poutine” (prato típico com batata frita, queijo e molho) com “routine” (rotina)? Provavelmente boas risadas, e talvez uma história engraçada para contar depois! Um estudo de Horwitz et al. (1986) sobre ansiedade em aprender línguas já afirmava que os aprendizes que superam a vergonha de errar avançam mais rápido. Então, erre sem medo!
Eu me lembro dos meus primeiros erros de francês e hoje dou risada. Trocar poisson por poison e falar que eu gostei muito do “cú de castor” ao invés da famosa sobremesa que, traduzindo, se chama “rabo de castor” (queues de castor) – dentro de uma igreja, para espanto de todos! Então, repetindo: erre sem medo e ria de si mesmo. Ahh… e se você quiser ver que todo mundo tem essa fase, leia nossos artigos da série Micos de Imigrante. Você vai dar boas gargalhadas.
6. Faça do francês uma parte natural do seu dia
Um estudo de Nation e Newton (2009), publicado no livro “Teaching ESL/EFL Listening and Speaking“, destaca que consistência é mais importante do que longas sessões esporádicas de estudo. Inclua pequenas doses de francês no seu cotidiano. Troque as configurações do celular para o francês, leia notícias locais ou pratique falando sozinho em casa. Aos poucos, o idioma deixará de ser estranho e começará a fluir naturalmente.
7. Combine métodos para resultados turbo
Segundo um estudo de Oxford e Crookall (1989), publicado em The Modern Language Journal, combinar diferentes técnicas de aprendizado (audição, leitura, conversação, escrita) gera resultados mais rápidos e eficientes do que focar em apenas um método. Misture vídeos, conversas, aplicativos como Duolingo e exercícios escritos. Assim, você otimiza o funcionamento do cérebro e evita o tédio.
Ao seguir essas dicas, o aprendizado do francês québécois será muito mais leve e divertido. Não esqueça: mais importante do que ser perfeito é aproveitar a jornada. Bonne chance, e que sua jornada linguística seja repleta de descobertas divertidas (e poucos “faux pas” embaraçosos)! Afinal, como dizem por aqui, “ça va bien aller!“
Referências
1. Segalowitz e Freed (2004)
- Artigo: Freed, Barbara F., Norman Segalowitz, and Dan P. Dewey. “CONTEXT OF LEARNING AND SECOND LANGUAGE FLUENCY IN FRENCH: Comparing Regular Classroom, Study Abroad, and Intensive Domestic Immersion Programs.” Studies in Second Language Acquisition 26, no. 2 (2004): 275–301.
- Link: http://www.jstor.org/stable/44486772
3. Neville et al. (2008)
- Artigo: Stevens, C., Fanning, J., Coch, D., Sanders, L., & Neville, H. J. (2008). Neural mechanisms of selective auditory attention are enhanced by computerized training: Electrophysiological evidence from language-impaired and typically developing children. Brain Research, 1205, 55-69.
- Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2714668/
4. Horwitz et al. (1986)
- Artigo: Horwitz, E. K., Horwitz, M. B., & Cope, J. (1986). Foreign language classroom anxiety. The Modern Language Journal, 70(2), 125-132.
- Link: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1540-4781.1986.tb05256.x
5. Nation e Newton (2009)
- Livro: Nation, I. S. P., & Newton, J. (2009). Teaching ESL/EFL Listening and Speaking. Routledge.
- Link para a versão em PDF: https://repository.bbg.ac.id/bitstream/611/1/Teaching_ESL_EFL.pdf
6. Oxford e Crookall (1989)
- Artigo: Oxford, R., & Crookall, D. (1989). Research on language learning strategies: Methods, findings, and instructional issues. The Modern Language Journal, 73(4), 404-419.
- Link: https://doi.org/10.2307/326876